quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Van Cleef & Arpels e turquesas no Golden Globes 09

O Golden Globes 2009 foi há pouco mais de um mês atrás, mas mesmo assim não podia deixar de comentar sobre o colar de turquesa da Van Cleef & Arpels que Eva Mendes usava.

O super-colar de nome "Panka", faz parte da coleção Van Cleef & Arpels Private, foi feito em aproximadamente 1974, possui cerca de 132 maravilhosas turquesas bem azuis, 36ct. de diamantes e foi todo elaborado sobre ouro amarelo 18K.

A turquesa é uma gema opaca e porosa, formada principalmente pelos elementos fósforo, alumínio e cobre, sendo este último o responsável pela coloração azul. As cores variam do verde até um tom médio de azul, mas encontram-se também turquesas acinzentadas e amarelas.

É encontrada apenas em regiões de solo seco e infértil, como: China, Egito, Chile, sudoeste dos Estados Unidos (Arizona) e Irã. Por isso que na época do menino-faraó Tutancâmon, a maioria dos ornamentos usados pelos egípcios exibiam muitas turquesas, pois eram facilmente encontradas na região do Antigo Egito.

Uma turquesa de boa qualidade, como as do colar da Van Cleef acima, é aquela que possui por inteiro cor azul céu (ou "robin's egg blue"), sem pigmentação esverdeada, possui um brilho lustroso e não tem os veios negros ou de cor marrom-avermelhados. Estas são minadas no distrito de Nishapur no Irã, região conhecida anteriormente como Pérsia.

Cuidado, pois existem muitas turquesas tratadas, sintéticas e imitações (como a howlita tingida, na foto ao lado) no mercado hoje em dia. O melhor mesmo, é comprar jóias de alguém de confiança.






Foto: Howlita tingida, uma imitação da turquesa.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

As coleções da Dior Haute Joaillerie


A linha de jóias da Christian Dior está desde 1999 nas mãos da ultra-criativa Victoire De Castellane, apresentada no "A Diamond Affair" no post anterior. 

São aproximadamente treze coleções, bem distintas uma das outras e cada uma direcionada um certo público diferente. Por exemplo, as japonesas preferem as peças menores e delicadas, as chinesas gostam das grandes e as russas optam pelas jóias mais criativas e poderosas.

Vale muito a pena entrar no site da Dior Fine Jewelry, cada coleção tem seu filminho e trilha sonora! São elas:

"Milly Carnivora" - flores imaginárias, cores vibrantes, muitas gemas e uso da técnica de esmaltação. Depois da ultra-especial coleção Belladone Island que será mostrada logo mais neste blog, "Milly Carnivora" é com certeza a segunda mais criativa e trabalhosa.

"Mimioui" - peças delicadas para àquelas mais clássicas, com correntes finas e solitários.

"Oui" - cada
 jóia tem o
 seu "oui",
usa-se tambėm ametistas e águas-marinhas.

"Diorette" - coloridas flores do campo, abelhas, borboletas e joaninhas. 

"Milly-la-Forêt" - inspirada nas quatro estações do ano, de Milly-a-Forêt, lugar onde Monsieur Dior tinha sua casa de campo. A coleção "Diorette" representa a alegre primavera. O verão traz peças com sapinhos, libélulas, insetos, rosas e cerejas, descrevendo o interior da França nessa época do ano. O outono traz jóias com gemas de cores amarela, laranja e roxa representando as folhagens e as águas-marinhas fazem referência à chuva. O inverno frio, traz muito ouro branco e obviamente diamante, simbolizando a neve.
"Gourmette de Dior" - a coleção utiliza muito ouro branco e amarelo. Todos anéis, colares e pulseiras são formados por uma corrente no estilo "cuban" e uma placa contendo em escrito: "Dior", o número "750" referindo-se a pureza do ouro que é 18K e a numeração da peça.

"Charms de Dior" - pulseira com pingentes que fazem referência as coleções da Dior.

"Couer Léger" - para os apaixonados, peças em forma de coração em três tamanhos.

"Fiancée de Vampire" - caveiras, cupidos, corações sangrando e crucifixos, todas feitas em ouro branco, cravejadas em diamantes e espinélio vermelho.

"Happy Birth Dior" - pequenos corações de opala etíope e branca com pavé de diamante ao redor, perfeito para quem gosta de jóias delicadas.

"Couture" - Colar e pulseira com topázio azul, peridoto, citrino, turmalina rosa, rubelita, berilo amarelo com um fecho de ouro em uma fita de veludo preta. C'est très chic!

"Incroyables & Merveilleuses" A coleção faz jus a seu título! Com vários anéis poderosos (no estilo "cocktail") e brincos, sempre contendo uma gema grande lapidada (ametista e berilos, como água-marinha e morganita) e ao redor muita vida (trevos e flores).

"Coffret de Victoire" - criatividade sem fim e muita exclusividade, é um mix do que a designer mostrou nas coleções anteriores e mais surpresas, como: cavalos marinhos esculpidos em coral, anéis feitos com conchas, coelhos, camafeus, urso polar chinês e porco-espinho.

Em fim, Victoire de Castellane tem realmente uma imaginação sem fronteiras! 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Fabergé, o joalheiro dos czares russos

Fabergé (1842-1917) foi uma família de joalheiros russos de descendência francesa, famosos por seus objetos de arte, principalmente pelo trabalho com esmaltação, uma técnica que usa pó de vidro de cores diferentes e óxido de certos metais, que normalmente são aplicados sobre uma peça de ouro e logo depois levados a altas temperaturas, criando uma superfície como a do vidro.

A família Fabergé saiu da França quando o rei Luis XIV revogou o Édito de Nantes em 1685, com isso, voltaram as preseguições religiosas e os protestantes tiveram que fugir para a Prússia, Grã-Bretanha e Suiça. Os Fabergé passaram dois séculos pela Europa até se fixarem em São Petersburgo na Rússia. Como já havia tido experiência como aprendiz de ourives, em 1842, Gustav Fabergé abriu sua primeira loja.

Em 1861, Peter Carl Fabergé (1846-1920) juntou-se a seu pai como aprendiz e logo depois foi estudar design e manufatura pela Europa. Em 1870 ele assumiu total responsabilidade pela loja e fazia questão de que todos os objetos e jóias produzidas estariam de acordo com a moda parisiense do momento.

Por volta de 1885, Agathon juntou-se a seu irmão mais velho, a partir daí os Fabergé mudaram o foco dos negócios para somente objetos de arte ao invés de joalheria, com objetivo de criar peças de deixariam sua marca na história. O novo trabalho incluía objetivos de decoração, como: miniatura animais esculpidos, flores em lacquer e famosos ovos. Também havia um linha com objetos mais funcionais como: caixinhas, óculos para ópera, abridores de carta e vasos. Logo Fabergé se tornou o joalheiro mais procurado pelos czares e pela nobreza russa.

Imediatamente seu trabalho foi reconhecido mundialmente, quando em 1900 receberam o prêmio (Legion of Honour) na Exposição Internacional de Paris. Em seguida, novas lojas em Londres e Paris abriram suas portas. Até meados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o comércio prosperava, mas em 1917 com o estouro da Revolução Russa, os Fabergé pararam sua produção e mudaram-se para a Suiça.

Fabergé contribuiu para a história da joalheria de diversas formas, com peças construídas de maneira minuciosamente perfeita e delicada e principamente pelos ovos Fabergé, obras-de-arte em miniatura, feitos com a técnica de esmaltação, muitos cravejados em diamante de lapidação rose-cut, muito peculiar da época e havia também grande influêcia chinesa e japonesa. Fabergé é sempre será um objeto de desejo dos colecionadores e apreciados da arte-joalheria russa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A excêntrica Victoire De Castellane

Victoire De Castellane é a excêntrica diretora de criação da Dior Haute Joaillerie desde 1999, quando recebeu o convite feito por Bernard Arnault do grupo LVMH, atual dono da marca. A designer tem em seu currículo 14 anos de trabalho com Karl Lagerfeld na maison Chanel, onde criava as bijoux da marca.

O trabalho de Castellane é totalmente inusitado, é realmente uma obra de arte, muitas peças paracem ser até bijouteria, pois é incrível como a designer consegue transformar a realidade ao seu redor, como: flores, plantas, frutas ou insetos em uma jóia enorme, com cores tão vibrantes e com tanta vida. Seu escritório é repleto de objetos que a trazem inspiração, como: toy art, comidinhas de borracha, fios de plástico coloridos, borboletas, miniaturas e personagens da Disney. Segundo Castellane, uma jóia tem que ser criativa, não basta ter apenas um valor monetário.

Victoire De Castellane
: "...eu não tenho a sensação de estar trabalhando e sim, brincando, mas com coisas reais"

Apresentando.....um gênio por trás da Dior Haute Joaillerie. Voilá!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ellen Barkin e seus tesouros do passado

O casamento da atriz americana Ellen Barkin com o bilionário Ronald Perelman, durou pouco mais de cinco anos e foi logo seguido por um divórcio escandaloso, estampado nos tablóides nova-iorquinos no início de 2006.

Durante seu casamento com Perelman, Barkin adquiriu uma coleção com mais de 100 peças, como: uma pulseira de ouro com esmeralda, já pertencente a Duquessa de Windsor, esmeraldas de Doris Duke e 17 peças feitas exclusivamente para a atriz por Joel A. Rosenthal (JAR).

Em outubro de 2006, como um "tapa na cara" de Perelman, Barkin levou todos os seus tesouros (102 lotes) à leilão na Christie´s em Nova York, com exceção apenas, de um anel de diamantes do ano de 1800 que JAR presenteou a atriz. O leilão faturou mais 20 milhões de dólares com a vendas das jóias.

Abaixo o vídeo "Magnificent Jewels from the Collection of Ellen Barkin", mostrando os tesouros do passado de Ellen Barkin. Enjoy it!


domingo, 1 de fevereiro de 2009

"The Cult of JAR" - Joel Arthur Rosenthal

Joel Arthur Rosenthal, é um ultra-exclusivo artista contemporâneo francês, famoso por suas belíssimas jóias em pavé. Em 1977 ele abriu discretamente JAR (não há vitrines) juntamente com seu parceiro Pierre Jeannet na Place Vendôme em Paris. Eles produzem apenas de 70 a 80 novas peças por ano. 

Nascido no Bronx em 1943, estudou história da arte e filosofia em Harvard. Após se formar, mudou-se para Paris, onde tentou a vida fazendo bicos até trabalhar para a joalheria Bulgari, sua passagem por lá foi rápida, mas suficiente para aprender o segredo das jóias. Seu trabalho logo ficou conhecido por suas cores vibrantes e formatos diferenciados. Suas peças são famosas por usarem liga escuras de metais (imagine ouro oxidado) e por serem extremamente finas.

O artista se recusa a fazer qualquer tipo de propaganda e sua loja em Paris não costuma manter os horários comerciais. JAR é um dos designers mais procurados em leilões de joalheria nos dias de hoje e tem como clientes: Elizabeth Taylor, Ann Getty, Elle MacPherson, Ellen Barkin, entre tantas outras. Não é atoa que ultimamente anda-se falando sobre "culto de JAR"!

Imagens:
Figura 1: Cabochon de esmeralda de 39.74 carats com pavé de esmeralda ao redor. Feito em prata e ouro. Valor estimado: U$120,000.00
Figura 2: Anel de diamante lapidação "old mine" de 10.12 carats. Valor estimado: U$300,000.00
Figura 3: Anel de ametista esculpida e cabochon de esmeralda - Valor (Leilão da Christie's 2006): $20,400.00. Anel de hidrogrossulária esculpida com diamante oval de cor amarelada de 2.25 carats. Valor (Leilão da Christie's 2006): U$42,000.00


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

As jóias de Dali

Acredito que são poucos aqueles que sabiam da contribuição de Salvador Dali (1904 - 1989) ao mundo da joalheria. O pintor nascido em Figueres na Espanha, foi líder do movimento surrealista e tornou-se famoso pelas suas pinturas figurando relógios derretidos. Dali também não resistiu aos encantos das gemas e metais preciosos e usou as jóias como um veículo para expressar seu talento.

Figura 1: "Eye of Time" broche - relógio e olho cravejado com diamantes.

Salvador Dali começou a se aventurar como criador por volta de 1938. Ele fazia questão de escolher pessoalmente todas as gemas que seriam usadas, não só pela qualidade e cor, mas sim pelos sentimentos que as pedras causavam no pintor. Os temas das peças eram similares ao de suas pinturas: religião, mitologia, natureza e surrealismo. O trabalho de ourivesaria era executado pelas mãos do espanhol erradicado em Nova York, Carlos Alemany, o qual tinha o dom de capturar a visão do pintor de suas telas e transformá-las em lindas peças.

Em 1958 a coleção foi comprada pela Owen Cheatham Foundation, que expôs mundialmente as peças para angariar fundos para caridade. Hoje, as peças originais encontram-se no Teatro-Museo na cidade natal de Dali.

Para quem tem interesse, imitações (produzidas com cristais e zircônia) podem ser adquiridas no The Dali Museum na Flórida.
Figura 2: "Ruby Lip" broche - Lábios de rubi e dentes de pérolas.